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domingo, 12 de setembro de 2010

Li e Gostei - Benjamim, Chico Buarque


Depois do extraordinário "Leite Derramado", voltei a aventurar-me por terras buarqueanas e não me arrependi. Benjamim é um grande livro. Lá mais para o fim do ano pego no "Budapeste" para ver o que acontece.

Há uns anos atrás, um amigo enviou-me um daqueles questionários esquisitos, pedindo-me para responder porque queria pôr os resultados no "site" que então entretinha. Apenas me lembro de uma das respostas que era, à pergunta "Qual o melhor sentimento", a saudade. Eu gosto de ter saudades, aprecio navegar nas águas da nostalgia. Mas detesto o saudosismo e o Senhor Francisco Buarque, distingue isso muito bem nos seus romances em que, por via de regra, o personagem central é um homem em fim de caminho, obcecado pelo que ficou para trás, não tendo a capacidade de rever a história ternamente como quem folheia um álbum de fotografias, mas como quem quer construir desesperadamente uma máquina do tempo que o leve de volta.

Chegado à meia-idade, é isso que constantemente me interrogo: como vai ser quando, privado de poder desfrutar de quase tudo o que hoje aprecio, me limitar a ser espectador dos outros? Conseguirei ter elegância na aceitação da inevitabilidade, ou virarei Benjamim? A não perder.

sábado, 16 de janeiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Chico Buarque, de Wagner Homem



"Chico, você lê jornais? Então sabe que seu "pai espiritual", Fidel Castro, continua libertando milhares de presos políticos. O Brasil tem cerca de 400 e Cuba milhares. Onde há mais liberdade? Você continua sendo o primeiro em nossa relação.
O Comando de Caça aos Comunistas deseja a você, ativista da canalha comunista que enxovalha nosso país, um péssimo Natal e que se realize no ano de 1980 nosso confronto final."

(Cartão de boas-festas do Comando de Caça aos Comunistas - CCC - para Chico Buarque, 1979)

"Claro que havia uma agressividade necessária contra o culto unânime a Chico em nossas atitudes. Quando gravei, em 69, a "Carolina" num tom estranhável, eu claramente queria, entre outras coisas, relativizar a obra de Chico (embora não fosse essa, ali, a principal motivação). É preciso ter em mente que a glória indiscutível de Chico nos anos 60 era um empecilho à afirmação do nosso projeto."

(Caetano Veloso, no livro Verdade Tropical)

"Acho absurda a mania de cobrar do artista um engajamento político sobre sua arte."

(Chico Buarque, ao jornal A Folha de S. Paulo, 1978)

"Nem toda loucura é genial. Nem toda lucidez é velha."

(Chico Buarque, ao jornal Última Hora, 1968)



(Chico Buarque, sobre Portugal, o Brasil, e "Tanto Mar")