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segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Retorno - Dulce Maria Cardoso


Soube dele (e dela) pelo Público, após ter sido nomeado Melhor Romance de 2011. Adicionei-o por isso à minha lista "Um dia talvez compre". Esse dia chegou há coisa de dois meses e o livro foi direitinho para a estante "Um dia talvez leia".

Li-o há cerca de 3 semanas, em menos de 3 dias. É um bom livro, uma descrição comovente, mas não lamechas, de um tempo histórico com o qual me identifico - a tragédia dos que regressaram (regressaram?) de África, com os seus caixotes de madeira toscamente pregados e pintados com um nome, um apelido, uma terra. Tive família que de lá voltou e alguma que lá ficou também. E, como co-transmontano, assisti aos "bairros de retornados" que cresceram como míscaros por todo o lado.

O livro é fascinante, a prosa é fluída e hipnotizante. Não é politicamente correcto, é escrito por quem lá esteve, não por quem se limitou a ouvir falar do assunto. Fala de pretos e diz que alguns eram maus. E fala de brancos e de como  alguns eram maus também.

Gostaria de tecer algumas considerações sobre o final, mas não quero estragar a história a quem ainda a não tenha lido. Direi no entanto isto: é como a Coca-Cola do Pessoa, primeiro estranha-se, depois entranha-se.

Já comprei outro livro da Senhora na Feira do Livro: "Os Meus Sentimentos". Este já foi para a estante "Bute lá que entras a seguir".


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Ferrugem Americana

Gosto de livros assim. Ao fim de 65 páginas tenho a certeza de estar em presença de um clássico muito pessoal. Um daqueles livros que daqui a 20 anos estará no monte, raramente tocado, para uma nova leitura.

Por enquanto vou continuar a ler e a descobrir, muito devagarinho, para que o prazer se estenda, o mais possível, no tempo.

Se este livro fosse uma canção, era o Factory, do Bruce Sprinsteen.

sábado, 5 de março de 2011

David Bowie: An Illustrated Record


David Bowie: An Illustrated Record, da autoria de Roy Carr e Charles Shaar Murray, editores do New Musical Express à época da publicação do livro, não é o melhor livro sobre David Bowie, mas é o livro perfeito sobre David Bowie. Se tivesse de escolher um só livro sobre o Homem, esta era a minha escolha. Bowie In Berlin de Thomas Jerome Seabrook é superior no detalhe, no pormenor das histórias, na escrita, mas aborda apenas uma época específica da carreira de Bowie.

Outros existem mas têm demasiadas gorduras, perdem-se nas aberrações produzidas nos anos 80, nas colaborações sem sentido com Tina Turner ou Mick Jagger, nas tentativas de apanhar o comboio dos anos 90 com resultados desiguais. E nem vale a pena falar daquela coisa chamada Tin Machine...

David Bowie: An Illustrated Record, brinca com a palavra "Record", sob o sentido de "disco" devido ao formato do livro e "registo", visto estar organizado cronologicamente, de 1964 a 1981, percorrendo single a single, LP a LP, todos os detalhes da obra do músico, oferecendo a informação sobre a produção, data e código de cada edição, músicos envolvidos nas gravações, imensas fotos e histórias sobre o período mais importante de um artista fundamental na história da música pop.

domingo, 12 de setembro de 2010

Li e Gostei - Benjamim, Chico Buarque


Depois do extraordinário "Leite Derramado", voltei a aventurar-me por terras buarqueanas e não me arrependi. Benjamim é um grande livro. Lá mais para o fim do ano pego no "Budapeste" para ver o que acontece.

Há uns anos atrás, um amigo enviou-me um daqueles questionários esquisitos, pedindo-me para responder porque queria pôr os resultados no "site" que então entretinha. Apenas me lembro de uma das respostas que era, à pergunta "Qual o melhor sentimento", a saudade. Eu gosto de ter saudades, aprecio navegar nas águas da nostalgia. Mas detesto o saudosismo e o Senhor Francisco Buarque, distingue isso muito bem nos seus romances em que, por via de regra, o personagem central é um homem em fim de caminho, obcecado pelo que ficou para trás, não tendo a capacidade de rever a história ternamente como quem folheia um álbum de fotografias, mas como quem quer construir desesperadamente uma máquina do tempo que o leve de volta.

Chegado à meia-idade, é isso que constantemente me interrogo: como vai ser quando, privado de poder desfrutar de quase tudo o que hoje aprecio, me limitar a ser espectador dos outros? Conseguirei ter elegância na aceitação da inevitabilidade, ou virarei Benjamim? A não perder.

Li e Gostei - A Casa do Silêncio, Orhan Pamuk

Foi o primeiro livro que li deste autor galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 2006. Como bem aqui escreveu o Dupond, aqui não se faz crítica literária, que é feio.

Mas é um livro mágico, que tem entrada directa nos meus 100 favoritos (onde já estão mais de 300...).

De facto, cada vez aprecio mais os autores orientais (publicados por cá). Tornei-me fã de Naguib Mahfouz depois de ler o excelente "O Beco dos Milagres", prazer prolongado pelo intrigante "As Noites das Mil e Uma Noites".

Preparo-me para, em breve, petiscar "O Contador de Histórias", de Rabih Alameddine, um autor jordano de ascendência libanesa do qual conheço absolutamente nada - o que só aumenta o gozo - mas sobre o qual já li coisas que aguçaram a curiosidade.


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A Estrada, de Cormac McCarthy


Já devem ter reparado que, por norma, falo dos livros que estou a ler, mas nunca dos que acabei de ler. Há vários motivos para o fazer. Quem quiser ler críticas a livros, sabe onde encontrar profissionais fiáveis em quem confiar antes de gastar o dinheiro que tanto lhe custou a ganhar, não vem ler parvoíces escritas por dois semi-analfabetos, num blogue marado. Por outro lado, quando acabo de ler um livro, arrumo-o de vez e preocupo-me apenas com a escolha do seguinte, seguindo um critério rigoroso que, por norma, tem como base científica a selecção daquele sobre o qual o meu olhar cai quando olho para as estantes repletas de exemplares em estado pura lã virgem.

Mas hoje não vou falar do livro que estou em vias de terminar, A Estrada. Limito-me a deixar aqui a opinião de um gajo que lê mais e melhor que eu, o Dupont. Passeando junto à rebentação das pequenas ondas de final de tarde do mar da praia de Moledo, como dois personagens saídos da Morte em Veneza de Thomas Mann, mas sem a morte e sem a pederastia, e lembrando-me que lhe tinha oferecido um exemplar há tempos idos, inquiri-o.

Olha lá, tu já leste A Estrada?

Ao que ele respondeu, com ar angustiado:

Foda-se...
E pronto, com esta vos deixo. Se querem a minha opinião, A Estrada é um livro magnífico, que eu desaconselho vivamente. Boas leituras.

sábado, 24 de julho de 2010

Ainda a propósito do regresso do vinilo...


Ando com este livro debaixo do braço. Não me vou alongar muito sobre ele, para já. Li pouco mais de um terço e, a páginas tantas, encontrei uma passagem que pode ser, perfeitamente, atirada para dentro do panelão da mini-discussão aberta em tempos no Musicbook, sobre o regresso do vinilo, a música e os seus suportes. À altura, defendi que ao culto do vinilo estava subjacente o culto de um objecto, o LP ou o 7", por parte de uma geração, e que a problemática da qualidade do som respectivo era perfeitamente secundário, no que toca à música pop. Podem ver o resto no Musicbook. Byrne atira as seguintes achas para a fogueira:

Stefan e eu conversamos sobre o destino do CD e da música gravada em geral. Stefan acabou de ir à Coreia do Sul, que ele descreve como estando, em determinados aspectos, uns quantos anos à nossa frente - diz que já ninguém compra lá CD. Na verdade, quando quis comprar uma cópia em CD de uma coisa que tinha ouvido, teve de ir a uma loja especializada para a conseguir - tal como, na Europa ou na América do Norte ou Sul, iríamos para comprar uma gravação em vinil.
Interrogamo-nos sobre o destino das imagens e do design associados ao LP e CD - um tipo de coisa com a qual ele tem estado envolvido já bastantes vezes. Lembra-me que a ligação entre imagem e música resulta do facto de o vinil se riscar com facilidade e, por isso, necessitar de uma embalagem de cartão mais resistente. E até há relativamente pouco tempo, nem sequer essas embalagens vinham com imagens, ficha técnica, notas interiores, etc. - originalmente, a embalagem que se dava à música era genérica. Antes disso, e durante séculos, as pessoas apreciavam música com todo o prazer sem quaisquer auxiliares visuais a acompanhar ou tipos de embalagens atraentes. No entanto, descobri que quando Alex Steinweiss concebeu uma das primeiras capas de disco,  para a sinfonia Eroica do Beethoven, a embalagem fez com que as vendas aumentassem em 800 por cento. Por isso, o design não é nada que se deva desprezar. As formas de embalagem da música foram evoluindo até se transformarem na personificação de uma visão do mundo representada não apenas pela música mas também pela embalagem, pelo intérprete, pela banda, pelo espectáculo, pelas roupas, pelos vídeos e por todos os outros materiais periféricos. Mas é possível que daqui a não muito tempo estejamos de regresso apenas ao elemento áudio, sem tudo o resto, graças ao mundo digital, onde muita gente compra versões digitais de uma única canção de que gosta, com os materiais e imagens associados à sua volta a serem deixados para trás ou ignorados. A era da nuvem de informação que rodeava a música pop, em representação de uma visão do mundo, pode ter terminado. Stefan não parece sentir nostalgia em relação a isso.


E vocês?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Joy Division, Piece by Piece - Writing About Joy Division 1977-2007, de Paul Morley

Paul Morley nunca o afirma ao longo das cerca de 400 páginas do seu livro, mas Joy Division - Piece by Piece é um livro sobre a morte. Não sobre A Morte, mas sobre a morte dos seus protagonistas. A história começa em 1977 e alguns dos principais protagonistas morrerão antes da história acabar. Curtis, o mito, Hannett, o feiticeiro, Gretton, o entusiasta, Wilson, a alma, Joy Division, a banda, New Order, o sobrevivente. Todos mortos em 2007.

É irónico que os três sobreviventes, Morris, Albrecht e Hook, venham a ser conhecidos em toda esta história como personagens quase menores. Como se a composição da melhor canção de todos os tempos, Love Will Tear Us Apart, da outra melhor canção de todos os tempos, Atmosphere, e também de Transmission, a melhor canção de todos os tempos, não tivessem sido escritas a oito mãos. Bem como todas as outras. Mas eles estão vivos, e esta história é feita pelos mortos. Still. Apesar de Blue Monday, o maxi-single mais vendido de sempre, em Inglaterra, que quase os levou à ruína, apesar da Madchester de final da década, que não existiria sem eles, apesar do sucesso à escala planetária. Tudo por causa de um fantasma.

O livro é uma compilação, apresentada por ordem cronológica, dos escritos de Paul Morley sobre os Joy Division. E sobre Tony Wilson. E sobre Manchester, a cidade. A história começa em 1977, os Joy Division ainda não são Joy Division, na verdade, ainda não são Warsaw. E termina em 2007, poucos dias após o anúncio da morte de Tony Wilson, o homem que arrastou o jovem Morley, em Maio de 1980, até à urna onde repousava o cadáver de Curtis e lhe anunciou que um dia ele teria de contar toda a história, porque esse era o seu dever para com ele próprio, para com o Norte, para com Manchester, para com Curtis.

Mas a história começa ainda antes, com outro cadáver, com outro suicídio, que não tem nada a ver com a nossa história e tem tudo a ver com a história de Morley. O suicídio do pai, pouco antes do suicídio do próprio Curtis, os dois fantasmas que vão assombrar a história do autor, o cadáver que ele viu e o que desejava ter visto. A obsessão que o levou a ser proibído de escrever sobre os Joy Division pelo New Musical Express, a frustração de não poder declarar a magnificiência de Unknown Pleasures e o deslumbre de Closer. E a glória de Love Will Tear Us Apart, Atmosphere e Transmission. Cada uma delas, a melhor canção de todos os tempos.

Não me recordo de ouvir os Joy Division pela primeira vez. Mas lembro-me de quando ouvi Love Will Tear Us Apart de forma obsessiva, até rebentar com a fita da cassete com a emissão do Rolls Rock onde a canção estava gravada. Ouvi-a no parque de campismo da Praia Verde, no Algarve, um lugar importante para outra história que não esta. Tinha 17 anos e foi a última vez que passei férias com os meus pais. Exilado no gulag algarvio com saudades dos amigos, dos discos, dos livros, da namorada. Não necessariamente, mas muito provavelmente, por esta ordem.

Um ano depois, num outro país, com saudades dos discos, com saudades dos livros, com saudades dos amigos, mas com uma outra namorada, deitei a mão a Unknown Pleasures e a Closer. Os dois no mesmo dia, numa minúscula loja de discos da vila de Überlingen, no sul da Alemanha. Mas essa é uma outra história e eu não a vou contar. Pelo menos a vocês. Mas a história dos Joy Division, contada por Paul Morley, recomendo-a vivamente.

domingo, 4 de julho de 2010

Li e gostei


Não é bem um livro sobre a Segunda Guerra Mundial: é O livro sobre o tema. É como um diário das várias frentes, descritas de uma forma jornalística mas empolgante, com um ritmo diabólico. Saber como acaba o livro não estraga o prazer de o ler. Do Martin Gilbert já lera a biografia de Winston Churchill. Voltou a não decepcionar.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

England's Dreaming, de Jon Savage


"The sacking of his (Winston Churchill) statue might well have served to obscure the global nature of the urgent demonstration at hand, but it also served to reintroduce the spectre of Punk as the burgeois demon, the harbinger of the anarchist apocalypse..."

"The Union Jack is the symbol of the political union between England, Scotland, Wales and Northern Ireland. It is far from being an equal partnership. England, and the South East in particular, dominates the economy, class system and perception of these islands."

"The most revealing moments of the whole fracas came during a BBC Panorama special report: for the (football) fans profiled, the fact that Britain had won the war was justification enough for their behaviour. 'If it wasn't for England you'd be Krauts', they shouted in Amsterdam."

"Yet it was this very Churchillian myth that, thirty years after VE Day, Punk set out to challenge across a broad front: England had not won the war but lost . There was no longer the cushion of empire, just dreams of historic glories..."

"Punk insisted on living in a hyper intensive present, but now it's history - just another english dream."

England's Dreaming é o retrato de uma falhada revolução (como todas as revoluções) juvenil e um notável retrato sócio-cultural da Inglaterra de finais da década de 70, a vida urbana entre a realidade de uma crise económica sem precedentes com taxas de desemprego brutais e a fantasia alimentada pelo circo mediático à volta do Jubileu de Isabel II.

Da autoria de Jon Savage, em tempos colaborador da Sounds, New Musical Express e Face. Actualmente publica na Mojo Magazine e The Observer Music Monthly. Autor de vários outros livros sobre a música popular contemporânea e a cultura juvenil, dos quais destaco a colectânea de crónicas: Time Travel: From the Sex Pistols to Nirvana - Pop, Media and Sexuality, 1977-96.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Chico Buarque, de Wagner Homem



"Chico, você lê jornais? Então sabe que seu "pai espiritual", Fidel Castro, continua libertando milhares de presos políticos. O Brasil tem cerca de 400 e Cuba milhares. Onde há mais liberdade? Você continua sendo o primeiro em nossa relação.
O Comando de Caça aos Comunistas deseja a você, ativista da canalha comunista que enxovalha nosso país, um péssimo Natal e que se realize no ano de 1980 nosso confronto final."

(Cartão de boas-festas do Comando de Caça aos Comunistas - CCC - para Chico Buarque, 1979)

"Claro que havia uma agressividade necessária contra o culto unânime a Chico em nossas atitudes. Quando gravei, em 69, a "Carolina" num tom estranhável, eu claramente queria, entre outras coisas, relativizar a obra de Chico (embora não fosse essa, ali, a principal motivação). É preciso ter em mente que a glória indiscutível de Chico nos anos 60 era um empecilho à afirmação do nosso projeto."

(Caetano Veloso, no livro Verdade Tropical)

"Acho absurda a mania de cobrar do artista um engajamento político sobre sua arte."

(Chico Buarque, ao jornal A Folha de S. Paulo, 1978)

"Nem toda loucura é genial. Nem toda lucidez é velha."

(Chico Buarque, ao jornal Última Hora, 1968)



(Chico Buarque, sobre Portugal, o Brasil, e "Tanto Mar")

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

As Suspeitas do Sr. Whicher, de Kate Summerscale



Em finais de Junho de 1860, o pequeno Francis Saville Kent, de quatro anos de idade, desaparece durante a noite e o seu corpo é mais tarde encontrado numa latrina contígua à casa da família. A polícia local é chamada a investigar o caso e reúne provas que levam à acusação da ama. Devido à fragilidade das provas apresentadas, à pressão da imprensa e ao horror do acto em si, é chamado à investigação um dos mais destacado detectives da força especial da Scotland Yard, Jack Whicher. Este livro é o relato dessa investigação.

Se estão à espera de um romance policial tradicional, tirem o cavalinho da chuva. Apesar de partilhar cenários com as aventuras de Sherlock Holmes, as coincidências terminam aí. Não há relatos de feitos assombrosos, lutas e tiros, vilões maquiavélicos e conspirações diabólicas. Este livro limita-se a relatar toda a investigação e fase de processo de uma forma fria e detalhada, onde não existem personagens principais e secundários.

Algumas curiosidades: a Scotland Yard não é apresentada como uma organização de mentecaptos, tão ao gosto de Conan Doyle. Pelo contrário, na década de 40 já apresentava no seu seio um departamento de investigação criminal, composto por 8 elementos, considerados à época a élite das forças da lei. Esses detectives utilizavam já, de forma bastante incisiva, os meios forenses disponíveis como base da sua investigação. Outro ponto assinalável é a actuação da imprensa em toda o processo, a forma como teorizava sobre a mesma, como servia de veículo a teorias dos leitores que se permitiam acusar terceiros sem qualquer pudor, bem como servir de veículo de transmissão das conclusões que iam sendo apresentadas aos jornais pelos próprios detectives responsáveis pela investigação criminal.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Rainha no Palácio das Correntes de Ar, de Stieg Larsson



Decorrido o primeiro terço das setecentas e tal páginas do terceiro volume da saga Millennium faço uma pequena pausa para deixar um aviso ao leitor incauto. Se um amigo da onça vos colocar este livro no sapatinho, evitem começar a ler sem primeiro terminarem o anterior volume.

Se é perfeitamente possível, mas não aconselhável, ler o segundo volume sem ter lido anteriormente o primeiro, tal não acontece com A Rainha no Palácio das Correntes de Ar.

O ritmo da narrativa é mais lento. Larsson vai introduzindo novos personagens na história de modo a explicar os antecedentes de Lisbeth Salander, o personagem central deste tríptico, evitando recorrer ao flashback. Desta forma, quase que se podia ler a obra de trás para a frente e, obter-se desse modo um fio condutor coerente, se não se desse o caso de, aqui e ali, o autor introduzir importantes peças do puzzle que ajudam a desvendar a complicada origem desta personagem.

A grande dúvida é: será que Larsson vai esticar a corda para um nunca acabado quarto volume? E em caso afirmativo será possível Rui Santos iniciar uma petição online pela verdade desportiva e ressurreição de Stieg Larsson? Enquanto meditam nesta problemática vou ali acabar A Rainha no Palácio das Correntes de Ar, porque tenho outro cliente à espera.

Logo que termine, prometo escarrapachar aqui a historinha toda e estragar-vos completamente o suspense. Portanto, é bom que se despachem.

(The Book I Read, Talking Heads)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Lisbeth Salander, a segunda parte


É oficial. Acabei o primeiro capítulo da segunda parte da Saga Millennium. Vai ser uma longa tarefa. Nada da correria em que se transformou a leitura da primeira parte. Há que ter juízo. E saborear. Bem devagar.
Ora, que se lixe...
(A Shot In The Arm, Wilco)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Uma Questão de Carácter, de Rui Moreira

Aproveito uma pausa na leitura da saga da Millennium para me dedicar a assuntos mais sérios. Uma visão crua, uma escrita pura e dura. A rasgar como diria o outro. Curiosamente numa altura em que a AEP anuncia a sua subaltenização à AIP lisboeta como medida fundamental para a sua sobrevivência.

"...O problema é que, ao contrário do que acontece em outros países, em Portugal exige-se sempre que todos estes instrumentos se instalem na capital.

Criou-se, assim, uma nomenklatura. Por cada nova agência, ou instituto que aparece, criam-se dezenas de novos empregos qualificados envolvendo imensas "cunhas", articulam-se regalias e mordomias que incluem secretárias chiques da "linha" e automóveis de luxo, aproveita-se a dança das cadeiras para alargar os directórios, acertam-se "tachos" para agradar a gregos e troianos e culmina-se o processo com a contratação das indispensáveis assessorias de escritórios de advogados."

" Ora, se a Região Norte concentra 35,4% da população activa, como é possível que beneficie de apenas 10,4% do emprego gerado pelos projectos PIN (Projectos de Interesse Nacional)? Como se compreende que, nesta região, e de acordo com os dados da AICEPN, os projectos PIN proporcionem 2,7 postos de trabalho por cada 1000 activos, quando nas outras regiões do continente português geram 57,1 no Alentejo, 35,4 no Algarve, 8,4 em Lisboa e Vale do Tejo, e 3,2 no Centro? Como é possível que 58,6% dos projectos PIN se concentrem nas regiões a sul do Tejo onde reside, apenas 11,2% da população?"

(Hit The North Part 1, The Fall)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O tabaco faz mal à leitura


Li hoje, no excelente blogue de Jorge Fiel, que Stieg Larsson, o autor do soberbo livro que ando a ler furiosamente, morreu de ataque cardíaco após subir os 7 andares do prédio onde morava devido a uma avaria do elevador.
Por causa disso, apenas 3 dos programados 10 livros da saga Millennium foram concluídos.
Stieg Larsson tinha 50 anos e era um fumador compulsivo. Ele pode ter morrido, mas eu também fiquei bem lixado...
(Read It In Books, Teardrop Explodes)