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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Olhe que não...

O sempre espectacular Cardeal Saraiva Martins afirmou, aos microfones da Rádio Renascença, que se está a verificar uma perseguição à Igreja Católica devido às suas posições relativas a assuntos como a oposição à eutanásia e aos casamentos entre homossexuais, bem como a defesa dos valores familiares tradicionais.

Uma fonte ligada ao lobby gay de perseguição à Igreja garantiu-nos que a dita perseguição tem mais a ver com a posição do missionário...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Saudades do Mata-Frades

católico
(latim eclesiástico catholicus, -a, -um, do grego katholikós, -é, -ón, universal)

A universalidade da igreja católica (passe a redundância) é como as luzinhas de Natal: acende e apaga. Serve para subjugar povos estranhos, para queimar livros, para queimar heréticos e feiticeiras. Mas apaga-se perante os escândalos dos dilectos filhos da igreja, ocultados pelos ternos pais da mesma: nessa altura a igreja passa de universal a clube privado, a família onde se lava a roupa suja entre as quatro paredes da sacristia.

A pedofilia é um crime hediondo praticado por quem quer que seja e mal se imagina que possa ter atenuantes ou agravantes. Não é pior se praticado por um bispo. É igualmente mau quando praticado por um pai ou uma mãe.

Mas não consigo evitar a náusea ao pensar no comentário do Senhor Bispo se, em vez de um deles, se tratasse de um "dos outros": um imã ou um rabi. Mas aí, a roupa já é outra. Porque, afinal, também há lavadouros públicos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Conspiração

"Abrindo um novo capítulo no rosário de queixas de pedofilia por membros da Igreja e de ocultação destes crimes, o The New York Times noticiou hoje que altos responsáveis do Vaticano – incluindo o actual Papa Bento XVI – não tomaram medidas contra o padre americano Lawrence C. Murphy, que terá abusado de 200 crianças surdas enquanto trabalhou numa escola do Wisconsin para deficientes auditivos, entre 1950 e 1974.



O diário nova-iorquino refere a existência de correspondência directa sobre este caso trocada entre bispos de Wisconsin e o cardeal Joseph Ratzinger (agora Papa Bento XVI e na altura responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé, CDF), que prova que a preocupação central não foi pensar na demissão do padre, mas na forma de proteger a Igreja do escândalo.



O cardeal português José Saraiva Martins, ex-presidente da Congregação para a Causa dos Santos, denunciou o que considera ser “uma conspiração” contra a Igreja Católica. “É um pretexto para atacar a Igreja”, disse aos jornalistas. “Não devemos ficar demasiado escandalizados se alguns bispos sabiam e mantiveram o segredo. É isso que acontece em todas as famílias. Não se lava a roupa suja em público.”


(in Publico, de 25 de Março de 2010)

O homem que nos trouxe, em tempos, pérolas do calibre de "a homossexualidade não é normal" e "as mulheres que pensem casar com muçulmanos precisam de ter muita cautela", volta a esmagar-nos com o peso da sua eloquência. Desta vez, sob a forma de comentário ao recente caso de encobrimento de um padre pedófilo do Wisconsin, por parte de altos responsáveis do Vaticano.

"Alvos de uma conspiração" é uma afirmação forte, mas é a utilizada pelo pároco para descrever a situação em que o ex-cardeal Ratzinger e alguns membros do seu círculo íntimo se encontram devido a recentes denúncias veiculadas através do New York Times. Se esta "conspiração" é mais ou menos grave, ou equivale a uma vingança por parte das vítimas da outra conspiração, protagonizada pela hierarquia da Igreja para encobrir os abusos sexuais do padre pedófilo, não se sabe. Ficará guardado para outro momento de boa disposição que o simpático D. José Saraiva Martins fará o favor de partilhar com os seus fiéis muito em breve.

Uma notinha final. Chamar "lavar roupa suja" a uma exposição de práticas de violação de menores por um padre é, do ponto de vista literário, uma figura de estilo sublime. Não lembraria a Oscar Wilde (peço desculpa por citar um reputado homossexual). Do ponto de vista das vítimas faz o estimável D. José Saraiva Martins parecer uma besta quadrada, o que provavelmente não lhe fará justiça.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Bom, assim ficamos muito mais sossegados...

O prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Cláudio Hummes, qualificou a pedofilia como "um crime terrível". Reconhecendo que a questão afecta 4% do clero, o prelado precisou, todavia, que "não há lugar no ministério sacerdotal, para as pessoas que cometem tais crimes". (in Agência Ecclesia, agência de notícias da Igreja Católica em Portugal)

A afirmação do Cardel Hummes é no entanto ligeiramente contrariada pelo seguinte texto do The Guardian:

The statement, read out by Archbishop Silvano Tomasi, the Vatican's permanent observer to the UN, defended its record by claiming that "available research" showed that only 1.5%-5% of Catholic clergy were involved in child sex abuse.

Ou seja, utilizando o método tornado famoso pela agência de sondagens que trabalhou com a TVI na noite eleitoral, o número de pederastas no activo e a soldo do Vaticano pode ser bem menor. Ou não...

No entanto, mesmo que o número seja superior, o Archbishop Tomasi logo aproveita para nos deixar mais descansados. Ora leiam:

the Catholic church was "busy cleaning its own house" and that the problems with clerical sex abuse in other churches were as big, if not bigger. He also quoted statistics from the Christian Scientist Monitor newspaper to show that most US churches being hit by child sex abuse allegations were Protestant and that sexual abuse within Jewish communities was common.

Ora então tudo bem. Só tenho de ter a caçadeira à mão para a eventualidade de o meu filho de 8 anos abrir a porta a Testemunhas de Jeová mal intencionadas.

E como a Santa Sé não deixa em mãos alheias o papel de iluminar as mentes pouco esclarecidas das suas ovelhas...

the Holy See said the majority of Catholic clergy who committed such acts were not paedophiles but homosexuals attracted to sex with adolescent males.

E ainda...

The statement said that rather than paedophilia, it would "be more correct" to speak of ephebophilia, a homosexual attraction to adolescent males.

Portanto quando apanharem o Sacerdote da vossa paróquia in flagrante delictum a resfolegar no cangote do vosso mais novo, antes de tomarem qualquer atitude mais drástica tenham em conta que podem estar na presença de um simples efebófilo e não de um miserável pedófilo.

Se algum informado leitor me arranjar o número do telemóvel do Archbishop Silvano Tomasi, ficarei muito agradecido. Gostaria de saber a sua opinião sobre o caso Polansky. (ora bolas, esqueci-me que era com uma gaja...)

(Religion, P.I.L.)