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domingo, 1 de julho de 2012

Um coelho no purgatório

Numa memorável cena do ainda mais memorável filme High Fidelity, de Stephen Frears, após recusar a venda do infame single "I Just Called To Say I Love You" de Stevie Wonder a um cliente, o empregado Jack Black inicia uma discussão com o dono da loja, John Cusack, colocando a seguinte questão: 'Rob, top five musical crimes perpetuated by Stevie Wonder in the '80s and '90s. Go. Sub-question: is it in fact unfair to criticize a formerly great artist for his latter day sins, is it better to burn out or fade away?'

O que têm em comum Velvet Underground, The Doors, Talking Heads, Joy Division, The Smiths e os The Stooges? A ausência de gorduras na sua obra discográfica com o reconhecimeento que o fim criativo tinha chegado. Que o fim seja causado pela morte de um dos membros (Doors e Joy Division) ou pelo abandono do líder (VU e Talking Heads) ou por implosão (Stooges), é perfeitamente irrelevante.

Se tomarmos como exemplo o nome mais bem sucedido da história da pop, os Beatles, apesar de todas as cisões internas, perceptíveis desde a concepção do White Album, foi necessária a edição do medíocre Let It Be para comprovar que a banda estava fora do seu tempo.

Ian McCulloch sabe que, caso a sua banda tivesse parado após a edição de Ocean Rain teria o seu merecido lugar no Olimpo da pop, ao lado das bandas que mencionei anteriormente. A cisão esteve para acontecer mas, graças aos esforços de Pete de Freitas, a banda tentou ir mais além do que era capaz e ultrapassar o seu magnum opus de 84. Espalharam-se ao comprido e editaram o autointitulado disco de 87 a que se seguiu a separação.

Por isso, não espanta que dos 19 temas apresentados ontem à noite (sem contar com os já habituais medleys, que incluíram Walk On The Wild Side de Lou Reed, In The Midnight Hour de Wilson Picket, Sex Machine de James Brown, A Promise dos próprios Bunnymen e mais uma ou duas que me escapam), 12 pertençam ao período 80-84. Isso ou a tentativa de agradar á geração sub-50 que enchia a Serra do Pilar.

Abriram com Going Up e, ao fim de 5 temas, já tinham aviado 4 do período Crocodiles, Going Up, Rescue, Do It Clean e Villiers Terrace. Mais para a frente, revisitariam ainda All That Jazz. Para quem os tinha visto 2 vezes no período Pete de Freitas, a inclusão de 2 elementos adicionais causava alguma expectativa, principalmente a utilização de teclados. No entanto, de uma forma geral, os temas apresentados mantiveram-se fiéis aos originais, não acrescentando grandes novidades.

Após Seven Seas, a primeira incursão em Ocean Rain, seguiu-se Bring On The Dancing Horses. Ao meu lado, Zeca Tuga resmungava 'isto é música para gajas' e abria caminho para mais uma visita ao stand das cervejas, de onde regressaria aos primeiros acordes de Never Stop. Pelo caminho ficaram os pouco interessantes Rust e The Fountain, com All My Colours pelo meio. A surpresa da noite foi a inclusão de The Disease do segundo LP Heaven Up Here, com McCulloch a cantar 'A minha vida é uma doença' enquanto pedia alegres palminhas à audiência.

Daí até ao final foi sempre a subir. Never Stop, um tema que em 84 quase causou um motim no Pavilhão do Infante Sagres, desta vez passou quase despercebido. Mas Villiers Terrace, The Killing Moon (apresentada como 'uma canção que nunca fizemos ao vivo, ou se calhar fizemos mas pouco', e 'the best song ever written') e The Cutter encerraram o alinhamento com enorme galhardia.

Os encores abriram de forma promissora com o magnífico Over The Wall, mas a escolha do bolorento mas bem sucedido Nothing Last Forever fez-nos temer o pior. A coisa compôs-se com a ligação a Walk On The Wild Side e In The Midnight Hour e o fim chegou com Lips Like Sugar, um dos favoritos do povo que já clamava por ele desde o início do concerto.

Voltando ao início do texto e a Jack Black, será que 'better to burn out than fade away' só se aplica aos artistas? Qual é a nossa responsabilidade como audiência, ao recusarmos enfrentar os novos tempos e ao refugiarmo-nos nas glórias passadas, num saudosismo bacoco e doentio? Será que não é esta atitude passiva dos consumidores que leva os artistas a tornarem-se auto-complacentes e caricaturas do seu próprio passado?

Entretanto os Bunnymen continuam o seu caminho e, como diria Chico Buarque, foi bonita a festa, pá!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A propósito do concerto de Panda Bear na Casa da Música

Ontem à noite fui ver o Panda Bear à Casa da Música. Ver o Panda Bear é uma força de expressão. É mais correcto dizer: tentar ver o Panda Bear. Apesar de me encontrar num óptimo lugar, durante os 90 minutos que durou o concerto consegui ver o senhor, vá lá, durante uns bons 20 minutos. Porquê? Por causa do fumo.

Com a sala preenchida a um terço, mesmo que todos os espectadores presentes tivessem fumado 2 maços de SG Filtro durante aquela hora e meia, não eram capazes de produzir 10% da quantidade de fumo que envolveu os dois músicos durante quase todo o concerto.
A coisa torna-se mais ridícula quando, nos tempos que correm, é expressamente proibido fumar nas salas de espectáculo. Além de se ter perdido a tradição do singular charrito a meio do concerto chegamos ao cúmulo de, caso se acenda um cigarro clandestino no meio da audiência, vermos cair em cima do infrator a corporação de bombeiros de serviço no local, como se estivessemos a meio de um Benfica-Sporting.

Já tinha vivido uma situação parecida no Coliseu do Porto. Mas como aconteceu naquele que foi, com toda a certeza, o pior concerto que vi em toda a vida, a coisa não foi grave. Apesar dos avisos de alguns amigos que se preocupam com o meu bem-estar e quando todas as circunstâncias aconselhavam a ficar em casa, comprei bilhete para ver os Sisters of Mercy. E apesar de o cartaz indicar o nome da banda e as críticas dos dias seguintes mencionarem o evento, pela parte que me toca podia bem ser o Trio Odemira a cantar o This Corrosion em playback. Durante 90 minutos, o palco do Coliseu parecia a batalha de Alcácer-Quibir. Não se via puto.

Caros Senhores dos Fumos das casas de espectáculos, nos anos 50 o Elvis subia para um estrado com uma guitarrita á tira-colo, uma pandeireta e um contrabaixo, começava a gingar as ancas e o nível de humidade da sala atingia níveis nunca vistos. E não precisava de fumos. Se quisermos ver gajos a sair do meio de fumo, vamos assistir ao Frei Luís de Sousa ou vamos saltar fogueiras no S. João.

Percebido?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana


Esta semana, destaque duplo para as visitas dos Grizzly Bear, quinta-feira no Coliseu do Porto, e dos XX, sexta-feira, na esgotadíssima Casa da Música (sacanas...).

terça-feira, 11 de maio de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana

Para antecipar o concerto dos Shellac, no próximo dia 25 de Maio, na Fundação de Serralves, apresento o LP Excellent Italian Greyhound, editado em 2007, pela banda de Steve Albini. Para ouvir na íntegra, aqui ao lado, na Radio Dupond. Na primeira parte, actuarão os veteranos Mission Of Burma.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana

A música de Rufus Wainwright está em destaque, esta semana, na Rádio Dupond. O músico visita o Coliseu do Porto, na próxima quinta-feira, para um concerto de promoção do seu novo álbum, Days Are Night: Songs For Lulu.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana

Os Sonic Youth visitam o Coliseu do Porto na próxima sexta-feira, dia 23. Se tudo correr bem e não ficarem retidos em qualquer lado por causa do vulcão com nome impronunciável. Pelo sim, pelo não, aqui fica o destaque. Rather Ripped, o LP editado em 2006, na íntegra, na Radio Dupond.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana


O novo álbum dos Blood Red Shoes, Fire Like This, serve de aperitivo para a próxima visita da banda à Casa da Música, no dia 12 de Abril. Por enquanto podem escutar o disco aqui ao lado, na Rádio Dupond.

terça-feira, 30 de março de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana


Destaque da semana para a próxima visita de Lisa Germano à Casa da Música para promoção do seu último CD, Magic Neighbor, editado em 2009.

terça-feira, 23 de março de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana


No próximo Sábado, os Nouvelle Vague vão actuar pela enésima vez em Portugal, desta vez no Europarque, onde se espera mais um festival de revivalismo dos anos 80 em versão bossa nova french style. O disco Bande Á Part tem o devido destaque aqui, na Radio Dupond.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Agenda

terça-feira, 16 de março de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana


Depois de amanhã os Beach House apresentam-se no Centro Cultural Vila Flor para a apresentação do seu magnífico último álbum, Teen Dream. A todos os presentes, e pela parte que me toca, os desejos de um bom concerto e uma enorme manifestação de raiva e inveja. Espero que chova...

Teen Dream em destaque aqui ao lado...

terça-feira, 9 de março de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana


No próximo dia 15, os Yo La Tengo estarão na Casa da Música para promover o novo Popular Songs. Este álbum está em destaque, esta semana, na Radio Dupond. Mesmo aqui ao lado.

terça-feira, 2 de março de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana


O destaque desta semana vai para o disco Odyssey dos Fischerspooner, que estarão no Teatro Sá da Bandeira no próximo dia 13 de Março. Aqui ao lado, na Radio Dupond.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana

O último destaque da semana na Rádio Dupond dedicado a bandas presentes no Festival para Gente Sentada, que se vai realizar no próximo fim-de-semana em Santa Maria da Feira. Desta vez para o último álbum dos escoceses Camera Obscura, My Maudlin Career.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Agenda

7 de Abril na Casa da Música.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A aldeia dos Macacos

Filas enormes à porta do Coliseu, enchente, candonga, público sub-20 em êxtase, pi-pi-pis de sms a anunciar os golos no Dragão, Mystery Jets discretos mas competentes, o pior som dos últimos anos na velha sala portuense, golo de Varela a anteceder a entrada em apoteose dos Monkeys celebrado com cânticos e cachecóis, crowdsurfing, telemóveis à procura da pior imagem da noite, camisola do FCP em cima da bateria, voz de Alex Turner quase imperceptível em boa parte das canções, temas dos dois primeiros álbuns entoados em uníssono pelo público, FCP esmaga o Sporting no Dragão mas, desta vez, o Macaco reinou no salão nobre da Rua Passos Manuel.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Agenda

23 de Abril, Coliseu do Porto

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Agenda

Coliseu do Porto, 27 de Maio

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Agenda



Casa da Música, 26 de Maio

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Agenda



18 de Março, Centro Cultural Vila Flor, Guimarães