Os pensamentos iluminados de duas mentes brilhantes escorrem pelas páginas deste coiso.
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sábado, 8 de maio de 2010
Alfred Hitchcock restaurado
O British Film Institute vai restaurar nove das obras do período mudo do cineasta e apresentá-las publicamente em 2012, como peça central de uma retrospectiva dedicada a Hitch.
Antes dos grandes sucessos de Hollywood, Alfred Hitchcock realizou uma série de filmes, no seu período do mudo, na Grã-Bretanha, que já davam sinais do estilo, do trabalho de câmara e dos argumentos desenvolvidos pelo realizador nos trabalhos seguintes. Durante décadas, esses filmes estiveram esquecidos. Agora, o British Film Institute (BFI) vai restaurar nove dessas obras e apresentá-las numa série de sessões públicas em 2012, como peça central de uma retrospectiva dedicada ao realizador. Embora o "The Independent" avance que as exibições farão parte das Olimpíadas Culturais, o programa artístico que decorrerá em paralelo aos Jogos Olímpicos de Londres, ainda não há confirmação.
"Queremos analisar a influência [de Hitchcock] no mundo actual", justificou ao "Independent" Eddie Berg, director artístico do BFI. A directora do instituto, Amanda Neville, disse que a iniciativa irá "ressuscitar os filmes de Hitchcock que não estão na ponta da língua de toda a gente". Alguns deles precisam de restauro. "Três deles não poderão ser projectados - a dimensão dos danos seria enorme", acrescentou.
Entre os filmes que serão restaurados e apresentados incluem-se "The Pleasure Garden" (1925), "The Lodger" (1926) e "The Farmer's Wife" (1927). in Jornal O Público, de 8 de Maio
Há alguns anos atrás, talvez no início da década de 90, a RTP2 apresentou um extenso programa de divulgação da obra de Hitchcock, onde passaram algumas dezenas de filmes, muitos deles da época do cinema mudo, e completamente inéditos em Portugal.
Nesse ciclo, além dos clássicos, passaram, entre outros, os filmes The Lodger e The Farmer's Wife, referidos na peça do Público. Lembro-me perfeitamente porque tive a oportunidade de gravar o ciclo, de fio a pavio. Infelizmente, da primeira vez que tentei rever os filmes, o maldito gravador trucidou-me as duas cassetes onde eu tinha gravado a maior parte dos filmes inéditos!
Esta podia ser uma óptima oportunidade para a RTP2 retomar a programação cinematográfica que a celebrizou durante décadas, mesmo que para isso fosse necessário passar os filmes às 2 da matina.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Por muito menos...
...faziam-se autos de fé bem engraçados por essa Europa fora. Infelizmente essas joviais tradições populares caíram em desuso, o que, bem vistas as coisas, não se pode deixar de lamentar.
Eu sei que só vê quem quer (e eu quis ver 1:46 desta coisa) e há mais canais por onde escolher e rebeubéu pardais ao ninho. Mas agora que estamos numa época festiva em que se celebra a ressurreição do filho de Deus, faz-me uma certa comichão nas virilhas que um canal televisivo, que deu os primeiros passos com a bênção da Mui Sagrada Igreja Católica Apostólica Romana, se comporte como o canal Benfica do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Sem Escrúpulos (2ª temporada)
A 2ª temporada de Sem Escrúpulos (Damages) entra na sua fase final no canal AXN ao mesmo tempo que se prepara a estreia da terceira nos Estados Unidos, a 25 de Janeiro. É uma das melhores séries de momento no canal e esta segunda temporada apresenta uma qualidade muito acima da inicial, que já não era nada má.
Para esta segunda parte a produção acrescentou à equipa de actores, encabeçada pela magnífica Glenn Close, o grande William Hurt, bem como Timothy Olyphant (o xerife de Deadwood) e Clarke Peters e John Doman (respectivamente, o detective Lester Freamon e o comandante William Rawls de The Wire - A Escuta).
Se não apanharam a série desde o início, não percam tempo. Isto não é o CSI. Vão à FNAC e comprem a primeira temporada ou aguardem pela eventual reposição num qualquer canal do Cabo. A trama não é linear, tem mais twists que o Chubby Checker, assim que se desata um nó do enredo aparecem logo mais dois ou três para desatar.
É impossível determinar quem são os bons, porque não existem, e de que lado estão os maus, porque a promiscuidade é tal que faz os Bórgias parecerem meninos da catequese. Um conselho. Se estiverem com vontade de ir à casa de banho, apertem os joelhinhos.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Sleeper Cell
Sleeper Cell é uma série de 2 temporadas que pode ser vista no canal FX. A primeira temporada é curta (10 episódios) e retrata a preparação de um atentado ao estádio dos L.A. Dodgers por uma célula terrorista da Al-Qaeda, infiltrada por um agente do FBI. Se optarem por ver esta série, aconselho vivamente que fiquem por aqui.
A segunda temporada é composta por 8 episódios, o que significa que são 8 episódios a mais do que deveria ter. A ideia que dá é que, a meio da produção, o dinheiro acabou e o número de episódios teve de ser diminuído. E, de repente, os acontecimentos precipitam-se a um ritmo vertiginoso à semelhança de um 24. O que não seria mau só por si se até aí todas as operações não tivessem sido preparadas de uma forma meticulosa e com mil cuidados. De repente, basta a um qualquer personagem estalar os dedos para as coisas acontecerem.
A segunda temporada começa mal. A boazona da agente de ligação com o inflitrado Dwyght é capturada e morta por um comando feminino de extremistas islâmicas vestidas com umas belas burkas Yves Saint-Laurent (se fosse ao contrário, os comandos seriam louras em top-less com gigantescos implantes mamários...). Em sua substituição entra em cena um novo agente de ligação balofo, de queixos quadrados e com o carisma de um busto de Napoleão. Rapidamente se percebe que este elemento entrou para o FBI após ter chumbado no exame do 9ºano do ensino recorrente e com uma grande cunha de um tio bem colocado na cadeia de comando do FBI. Ou seja, o grau de exigência para a captação de agentes para o FBI é semelhante ao da angariação de estagiários para o atendimento ao público do Canil de Salvaterra de Magos. A única consequência positiva da entrada em cena deste agente é que a chantagem que ele faz sobre a sopeira que aquece os pés ao agente Dwyght leva ao seu desaparecimento pouco prematuro no penúltimo episódio, às mãos dos malandros extremistas.
A luta final entre o bem e o mal, parece ter sido filmada numa aldeia de pescadores da Costa da Caparica, com uma encenação retirada de um duelo à moda do velho oeste, em que um veterano agente do FBI não consegue acertar uma rajada de metralhadora num elefante num corredor e vê-se obrigado a brincar aos polícias e ladrões com um Bin Laden de opereta, manco, e armado com uma Glockezita da treta. E falha.
Mas o mais irritante no meio de tudo, e que já acontecia na primeira temporada, é a quantidade de alamsalamaleicums e salamaleicumalams que saem pela boca fora dos personagens, bem como a expressão "que a paz esteja com ele" sempre que se referem ao Profeta. Pode ser muito interessante para tornar os diálogos verosímeis, mas para o espectador comum é tão estimulante como o "e esta hem?" do Fernando Pessa.
(Television, Drug of a Nation, Disposable Heroes of Hiphoprisy)
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
What's Up, Doc?
Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que não tenho a mínima pachorra para séries passadas em hospitais, com montes de pessoal a brincar aos médicos, cheios de problema existenciais e dramas pungentes. À excepção de uma ou duas temporadas de E.R., ao tempo da Julianna Margulies e do George Clooney. E por favor, não me venham falar da Anatomia de Grey...
Quem me falou pela primeira vez de House foi o patusco do Dupond. O personagem era fantástico, os diálogos do outro mundo e etc e tal. Obviamente desconfiei. As suas recomendações costumam ser irrepreensíveis no que toca aos livros, mas neste caso achei que me estava a enfiar um valente garruço à conta de ter torrado umas boas dezenas de euros nas 3 primeiras temporadas da dita série.
Algumas semanas depois, e farto de aturar os encómios do costume sempre que qualquer série vinha à baila, e como não havia novas temporadas dos Sopranos ou The Wire para ver, lá lhe cravei a primeira temporada. E, verdade seja dita, gostei.
House não é uma série sobre médicos ou hospitais. Acontece o personagem principal ser um médico e trabalhar num hospital. Podia bem ser um canalizador. House é um policial, um whodunnit á boa maneira de Hitchcock, onde o detective (House) é confrontado com um crime (uma qualquer patologia esquisita), cometido por um vilão (um vírus com hábitos pouco sociais) sobre uma pobr vítima (o doente). E depois há o personagem. Um absoluto desprezo pelos doentes e outros médicos, e basicamente por todos aqueles que não conseguem ser um desafio para a sua mente brilhante.
Motivos que me escapam levaram a que a 5ª temporada (a mais fraquita da série) terminasse com House internado num hospital psiquiátrico, com o objectivo de se ver livre da dependência do Vicodin e, acima de tudo, encontrar uma resposta para os seus hábitos anti-sociais que afastam todos aqueles que se tentam relacionar com o médico.
Os 2 primeiros episódios da 6ª temporada são os mais estranhos de sempre. House está internado, passa por um processo de adaptação a uma nova realidade, apaixona-se (ou assim parece) e, no final do 2º episódio abandona o hospital para voltar à sua actividade profissional. O que se segue é, para já, uma incógnita. Vai House ter uma recaída e voltar ao Vicodin e aos seus demónios ou vamos assistir ao nascimento de um House politicamente correcto, aos beijinhos e abraços com Wilson e Cuddy? Ou vamos assistir a uma Terceira Via televisiva? O futuro da série (no que toca ao número de episódios a que tenciono assistir) será em breve decidido.
(Dr. Abernathy, Scritti Politti)
terça-feira, 3 de novembro de 2009
CSI - 10ª Temporada
Ao fim de todos estes anos devo confessar que a série (a original, os spin-offs são absolutamente medíocres) já me provoca sono e é raro o episódio que consigo ver do princípio ao fim.
Por isso aguardo a entrada de Lawrence Fishburne na temporada actualmente em exibição no AXN e, como aperitivo da temporada seguinte, aqui fica um magnífico momento de pura exibição de tecnologia. O problema é o sumo...
(The Killer Inside Me, Green On Red)
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Isto anda tudo ligado
Esta semana, durante uma noite de insónia, presumo que terça ou quarta-feira, tive a oportunidade de ver um pequeno frente-a-frente entre João Soares e Teresa Caeiro na SIC Notícias, ou seja um snob de esquerda e uma snob de direita, onde se falava com grande superioridade moral dos escândalos financeiros que têm abalado o país em épocas recentes. A palavra "abalado" está aqui colocada de forma um pouco forçada. Tirando a derrota do Benfica em Braga no próximo Sábado, pouca coisa poderá abalar este país...
Dizia João Soares com toda a sobranceria que as golpadas no BPN e BPP manchavam de forma indelével o PSD visto estarem envolvidos altos quadros do cavaquismo e era urgente apurar todas as responsabilidades e punir os culpados em conformidade. E de tabela louvava o trabalho efectuado pelo CDS nas comissões parlamentares envolvidas neste assunto.
Teresa Caeiro, que é tia mas não é parva, e percebia bem o alcance da palavra "Cavaco", vociferava contra o apoio financeiro desmesurado e aparentemente sem limites dado pelo governo às instituições em questão.
Na manhã seguinte fomos acordados com as notícias da Operação Face Oculta e do envolvimento de Armando Vara, José Penedos e Paulo Penedos, entretanto constituídos arguidos no âmbito da referida operação.
O Diógenes é que tinha razão...
(Vampiros, José Afonso)
Dizia João Soares com toda a sobranceria que as golpadas no BPN e BPP manchavam de forma indelével o PSD visto estarem envolvidos altos quadros do cavaquismo e era urgente apurar todas as responsabilidades e punir os culpados em conformidade. E de tabela louvava o trabalho efectuado pelo CDS nas comissões parlamentares envolvidas neste assunto.
Teresa Caeiro, que é tia mas não é parva, e percebia bem o alcance da palavra "Cavaco", vociferava contra o apoio financeiro desmesurado e aparentemente sem limites dado pelo governo às instituições em questão.
Na manhã seguinte fomos acordados com as notícias da Operação Face Oculta e do envolvimento de Armando Vara, José Penedos e Paulo Penedos, entretanto constituídos arguidos no âmbito da referida operação.
O Diógenes é que tinha razão...
(Vampiros, José Afonso)
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