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terça-feira, 25 de maio de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana


Esta semana, destaque duplo para as visitas dos Grizzly Bear, quinta-feira no Coliseu do Porto, e dos XX, sexta-feira, na esgotadíssima Casa da Música (sacanas...).

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eu, pecador, me confesso


No passado Sábado, estive na CDGO para ajudar a comemorar o Dia das Lojas de Discos, ao assumir o meu papel tradicional, o de consumidor compulsivo. Não me quero gabar mas, ao longo destes últimos trinta anos, penso ter dado provas cabais para poder afirmar, sem qualquer tipo de hesitação, ter um doutoramento na difícil arte de derreter uma fortuna em música pop, nos seus diversos formatos.

Este hábito bendito teve as suas origens em dois locais distintos, mas ligados entre si por um elemento comum. Eu. O primeiro destes locais é o Largo da Sé, o sítio imponente onde, na viragem da década de 70 para 80, se realizava a Feira de Vandoma que, alguns anos mais tarde, se viria a deslocar para as Fontaínhas. Parte da minha colecção de vinilo foi adquirida lá, a colegas vendedores que, tal como eu, tentavam arranjar algum dinheiro para alimentar o seu vício. O meu entrava-me pelas orelhas, o deles subia-lhes pelo nariz.

Numa época de edições nacionais de prensagens manhosas, de esperas de meses por encomendas adquiridas em catálogos da Cobb Records que, no pior dos cenários, poderiam ficar retidas na fronteira, de angústia por causa do dinheiro que tínhamos entregue ao amigo que ia a Londres, para que nos trouxesse o London Calling, e que podia perfeitamente ser derretido em cerveja ou noutros produtos menos lícitos, a Vandoma podia ser, por vezes, uma ilha do tesouro.

Lá, encontrei uma prensagem original do primeiro LP dos The Stranglers, banda que, à altura, venerava. De uma assentada trouxe para casa a gloriosa trilogia de meados de 70 dos Kraftwerk, Radio Activity, Trans Europe Express e The Man Machine. Também era frequente conseguir deitar a mão a algumas edições menos conhecidas por cá, como o LP de estreia de Poly Styrene, ou as colectâneas  The Birth Of The Y, ou The Roxy, London, WC2: Jan-Apr 1977.

Mas nem tudo foram rosas. Alguns barretes foram enfiados com enorme galhardia. Lembro-me de um exemplar do My Aim Is True de Elvis Costello, cujos danos no vinilo escaparam á habitual vistoria pré-pagamento, e que apenas serviu como objecto de decoração da parede do quarto. Podia contar-vos o inesquecível momento em que cheguei a casa e verifiquei que o que se encontrava dentro da capa do Kilimanjaro dos Teardrop Explodes não era, na realidade, o disco da banda de Julian Cope, mas uma colectânea de êxitos italianos do Festival de San Marino. Mas a decência manda que me cale por aqui.

O segundo lugar, elemento fulcral nesta história de pecado e perdição, é a discoteca Jojo's, situada no Centro Comercial de Cedofeita. Na realidade, actualmente, a loja responde pelo nome de CDGO e deslocou-se para um prédio a duas dezenas de metros do local original, como pode ser visto na fotografia acima colocada.

Local de paragem obrigatório no regresso a casa, era lá que derretia os tostões que sobravam do pequeno pecúlio que tinha obtido na Feira. A pequena Jojo's era muito diferente da loja actual. Ficava situada no início do corredor de entrada do minúsculo centro comercial, do lado esquerdo. Ao balcão encontrava-se, frequentemente, a D. Fernanda, de enorme cabeleira vermelha, com quem ficavamos à conversa horas seguidas, enquanto nos ia mostrando as novidades acabadinhas de chegar e que nós, como ela bem sabia, nunca teríamos dinheiro para comprar. Eram como o Santo Graal. Os elepês importados.

Lembro-me perfeitamente de andar a juntar dinheiro para comprar uma edição original do Never Mind The Bollocks dos Sex Pistols. Quando entrei pela loja dentro, todo lampeiro, para, finalmente, deitar as mãos ao objecto desejado, em vez da edição inglesa, que me iria custar os olhos da cara, estava à minha espera uma edição nacional, acabadinha de chegar, que me valeu levar para casa, com o dinheiro que iria gastar, três ou quatro discos em vez de um só.

Apesar de me ter afastado do convívio, quase diário, com o pessoal da loja, a ligação ainda se manteve forte. Foi lá que, e graças ao simpático Paulo, nos anos 90, conheci os Walkabouts, os Calexico e os Morphine. E foi lá que comprei um dos meus primeiros CDs, In Vivo dos GNR, após receber uma dica do Artur Ribeiro, o dono da loja, sobre a iminente retirada do disco dos escaparates, na sequência de uma queixa de Vítor Rua por causa da disputa dos direitos de autor de Sê Um GNR e Portugal na CEE.

Por isso, no passado Sábado lá estive, juntamente com outros PopMusicJunkies, a celebrar um local, uma paixão, um estilo de vida. Muito discutível, por sinal. Aproveitei para conhecer os novos espaços dedicados aos livros e ao vinilo, situados no primeiro andar, ouvir os showcases de duas bandas cujo nome, vergonhosamente, não me consigo recordar, e trocar dois dedos de conversa com o Paulo e o Artur.

Como registo do acontecimento trouxe para casa o Mother Juno, quarto álbum dos The Gun Club, uma das minhas bandas fetiche. E para mostrar que não sou um velho quadradão hippie, ainda meti ao saco o The Flying Club Cup dos Beirut, um dos melhores discos dos anos 00, que, estupidamente, ainda não tinha extorquido ao Dupont numa qualquer ocasião festiva. Por fim, demonstrando um enorme sentido de oportunidade, comprei o primeiro disco dos gaiatos MGMT. Logo agora que saiu o segundo...

terça-feira, 20 de abril de 2010

Radio Dupond - Destaque da Semana

Os Sonic Youth visitam o Coliseu do Porto na próxima sexta-feira, dia 23. Se tudo correr bem e não ficarem retidos em qualquer lado por causa do vulcão com nome impronunciável. Pelo sim, pelo não, aqui fica o destaque. Rather Ripped, o LP editado em 2006, na íntegra, na Radio Dupond.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A aldeia dos Macacos

Filas enormes à porta do Coliseu, enchente, candonga, público sub-20 em êxtase, pi-pi-pis de sms a anunciar os golos no Dragão, Mystery Jets discretos mas competentes, o pior som dos últimos anos na velha sala portuense, golo de Varela a anteceder a entrada em apoteose dos Monkeys celebrado com cânticos e cachecóis, crowdsurfing, telemóveis à procura da pior imagem da noite, camisola do FCP em cima da bateria, voz de Alex Turner quase imperceptível em boa parte das canções, temas dos dois primeiros álbuns entoados em uníssono pelo público, FCP esmaga o Sporting no Dragão mas, desta vez, o Macaco reinou no salão nobre da Rua Passos Manuel.

Setlist do concerto de ontem à noite

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Agenda

23 de Abril, Coliseu do Porto

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Agenda

Coliseu do Porto, 27 de Maio

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

An evening with...


... amanhã, pelas 21h30 no Coliseu do Porto.
Nunca vi nenhum espectáculo do Fausto. Confesso até que pouco conheço da sua música. Fui apanhando alguns sons que surgiam de longe a longe na rádio sempre que o autor apresentava um novo disco, o que é coisa rara. No entanto, lembro-me de existir lá em casa, pouco depois do 25 de Abril, uma cassete com um disco seu que ouvi até à exaustão. Nunca soube o nome de qualquer canção ou do álbum , se é que se tratava de um.
Com Sérgio Godinho a relação é um pouco diferente. Comecei a ouvi-lo quando o meu pai apareceu em casa com o LP "À Queima-Roupa" debaixo do braço, comprado no rescaldo de qualquer reunião mais acalorada da comissão de trabalhadores ou minúsculo partido de extrema-esquerda de que, à época, fazia parte. Lembro-me que ouvia vezes sem conta a "Liberdade", o "Cão Raivoso" e a "Etelvina". Com o tempo o seu brilho foi-se perdendo e já não é, nem de longe nem de perto, o meu disco favorito do Sérgio Godinho. Mas foi a partir dele que percorri toda a sua discografia (que entretanto possuo em CD) apesar de só o ter visto uma vez ao vivo, a 10 de Novembro de 2000 na digressão de promoção de "Lupa".
O mesmo não aconteceu com José Mário Branco que vi nos anos 70, vezes sem conta, em comícios, festas partidárias ou marchas por uma das muitas causas em que os meus pais estiveram envolvidos (e me envolveram). Ainda existem em casa dos meus pais os vinis dos LPs dos GAC - Vozes na Luta "Pois Canté" e "Vira Bom", bem como uma mão cheia de singles com temas sugestivos como "A Cantiga é uma Arma", "A Luta dos Bairros Camarários" e "Até à Vitória Final".
A carreira de todos eles evoluiu ao longo destes anos em diferentes direcções e longe vai o tempo da canção de protesto, militante e panfletária, típica do tempo do final do Estado Novo e dos primeiros dias da Revolução. O caminho traçado desde então, principalmente no que toca a Mário Branco e Godinho, ajudou a definir a evolução da música pop portuguesa dos últimos 40 anos.

(Traz Outro Amigo Também, José Afonso)