Os pensamentos iluminados de duas mentes brilhantes escorrem pelas páginas deste coiso.
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sexta-feira, 22 de junho de 2012
sábado, 15 de maio de 2010
Sandes Bites #4
«Tornar obrigatório a educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade» in Diário de Notícias de hoje.
Séculos de consanguinidade deram nisto...
Séculos de consanguinidade deram nisto...
segunda-feira, 1 de março de 2010
Sinto-me asfixiado
Se ainda fosse preciso mais para comprovar que a teoria da asfixia democrática é uma treta mal amanhada, o Público ajuda a demonstrar à sociedade que qualquer calhau, por mais duro que seja, tem voz livre neste país: http://jugular.blogs.sapo.pt/1632809.html
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O país com paredes de vidro
E ainda vou ver alguém a congratular-se com isto... Neste país, o segredo de justiça é uma piada e a liberdade de imprensa, tal como a ética, estão ao nível da lama.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
O Regresso de Batman e Robin
Setúbal: Câmara Municipal estabelece protocolo com Junta de Freguesia e Associação
Idosos pagos para vigiar
Patrulheiros. É esta a designação que a Câmara Municipal de Setúbal passa a dar aos idosos e reformados daquela cidade que vão vigiar a avenida Luísa Todi já a partir de Janeiro.
(podem ler a notícia completa aqui: http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=1B3E0F49-EA96-4E76-8E50-751D9026291D&channelid=00000010-0000-0000-0000-000000000010)
Se em vez de lançarem concursos parvos tipo 7 maravilhas de Portugal promovessem as 7 ideias mais estúpidas do ano, estou certo que esta era uma das principais candidatas à vitória final.
Idosos pagos para vigiar
Patrulheiros. É esta a designação que a Câmara Municipal de Setúbal passa a dar aos idosos e reformados daquela cidade que vão vigiar a avenida Luísa Todi já a partir de Janeiro.
(podem ler a notícia completa aqui: http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=1B3E0F49-EA96-4E76-8E50-751D9026291D&channelid=00000010-0000-0000-0000-000000000010)
Se em vez de lançarem concursos parvos tipo 7 maravilhas de Portugal promovessem as 7 ideias mais estúpidas do ano, estou certo que esta era uma das principais candidatas à vitória final.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Em que ficamos?
Em entrevista à Lusa, Luís Meneses (deputado do PSD), coordenador deste grupo de deputados, acusa a Red Bull de mudar a localização do evento "por uma questão comercial, por uma questão de dinheiro e com total conivência do Turismo de Portugal". Segundo o deputado, "dos 70 milhões de euros de incentivos próprios que o Turismo de Portugal atribuiu em 2008, 70% foram investidos no distrito de Lisboa, ou seja, 49 milhões de euros. Desses 49 milhões de euros, 43 milhões foram investidos só na cidade de Lisboa." in O Jogo de hoje.
O Turismo de Portugal garantiu esta quarta-feira que o Norte foi a região que recebeu mais apoios em 2008 e sublinhou que nem a Câmara do Porto nem a de Gaia apresentaram qualquer candidatura a subsídios para o Red Bull Air Race. Segundo o esclarecimento do presidente do Turismo de Portugal, enviado à Lusa, a região Norte recebeu 5,3 milhões de euros do orçamento daquele organismo, em 2008, o que representa mais um milhão do que o apoio concedido a Lisboa e Vale do Tejo. in O Jogo Online
(Air, Talking Heads)
O Turismo de Portugal garantiu esta quarta-feira que o Norte foi a região que recebeu mais apoios em 2008 e sublinhou que nem a Câmara do Porto nem a de Gaia apresentaram qualquer candidatura a subsídios para o Red Bull Air Race. Segundo o esclarecimento do presidente do Turismo de Portugal, enviado à Lusa, a região Norte recebeu 5,3 milhões de euros do orçamento daquele organismo, em 2008, o que representa mais um milhão do que o apoio concedido a Lisboa e Vale do Tejo. in O Jogo Online
(Air, Talking Heads)
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Uma questão de tamanho
"O presidente da Comissão para o Centenário da República Portuguesa elogiou, esta terça-feira, a ideia da Câmara Municipal de Paredes em levantar um mastro de cem metros para suportar a bandeira portuguesa. Segundo as contas da autarquia, o mastro custará um milhão de euros, um valor que Artur Santos Silva não comenta.
O presidente da Comissão para o Centenário da República Portuguesa considerou, esta terça-feira, uma boa ideia a iniciativa da Câmara Municipal de Paredes para a comemoração dos cem anos da República Portuguesa.
«O que é preciso é que as comemorações do centenário da República sirvam para reforçar a nossa identidade e, naturalmente, que um dos elementos centrais da nossa identidade é o símbolo nacional da nossa bandeira», que deve ser «revalorizado», sublinhou." in TSF Online
Em resumo, a Câmara de Paredes prepara-se para queimar um balúrdio num mamarracho para comemorar uma efeméride a que ninguém liga puto, se exceptuarmos meia dúzia de "históricos" do PS. Em vez de dizer à rapaziada da autarquia para ter juízo, Artur Santos Silva acha que é uma boa ideia.
Então, está bem...
(Money, The Flying Lizards)
Tudo Calmo na Frente Leste
"O poder de compra das famílias no nosso país é apenas 76% da média da Europa dos 27. Os consumidores mantêm o mesmo poder de compra há mais de dez anos. É o resultado de anos a crescer abaixo da média da Zona Euro." in Diário de Notícias
"A proposta de revisão do período de trabalho foi apresentada em Novembro pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED). Para além das 60 horas semanais, os patrões do sector da distribuição defendem mais contratação a termo e aumentos salariais acumulados de um por cento em 2009 e no próximo ano. " in RTP
"O salário mínimo previsto para o próximo ano é de 475 euros, um aumento de 25 euros em relação ao actual valor (de 450 euros). Mas segundo o jornal Público, se tivesse sido actualizado em função da inflação desde 1974, o seu valor deveria ser agora de 562 euros. Ou seja, o salário mínimo actual representa 85% do poder de compra do de há 35 anos, quando foi introduzido em Portugal." in Diário de Notícias
"Os patrões sugerem que o salário mínimo nacional em 2010 não ultrapasse os 460 euros, propondo um aumento de pouco mais de um por cento para os rendimentos. A TSF teve, esta segunda-feira, acesso às linhas fundamentais da contra-proposta que as confederações patronais vão apresentar para o aumento do salário mínimo, tendo esta ficado muito aquém dos 25 euros que o Governo quer pôr em prática e que faz parte do acordo de concertação social." in TSF Online
... a aguardar as notícias do fim do mundo na Grécia, do apocalipse na Irlanda, e os relatórios sobre a tradicional baixa produtividade, sempre oportunos nesta época do ano...
(Hasta Siempre Comandante, Robert Wyatt)
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Bananas
Segundo o Público de hoje "o presidente do governo da Madeira está a pressionar a direcção nacional do PSD para fazer depender a aprovação do orçamento rectificativo da autorização a dar pelo Governo da República a um empréstimo de 129 milhões de euros que a região pretende contrair."
Para Jardim não é importante se o orçamento rectificativo é bom ou mau para o país e para a generalidade dos portugueses. Nem lhe interessa saber se a estratégia de oposição da direcção do PSD passa pela aprovação ou rejeição do dito orçamento. Jardim está-se nas tintas para a continuidade das políticas do governo chefiado pelo primeiro-ministro que ele próprio classificou de incompetente. Desde que lhe caia a esmolazinha do costume para poder continuar a regar o seu bananal privado. E com a facturazinha a ser paga pelos cubanos, obviamente.
(The Great Rock 'n' Roll Swindle, The Sex Pistols)
Para Jardim não é importante se o orçamento rectificativo é bom ou mau para o país e para a generalidade dos portugueses. Nem lhe interessa saber se a estratégia de oposição da direcção do PSD passa pela aprovação ou rejeição do dito orçamento. Jardim está-se nas tintas para a continuidade das políticas do governo chefiado pelo primeiro-ministro que ele próprio classificou de incompetente. Desde que lhe caia a esmolazinha do costume para poder continuar a regar o seu bananal privado. E com a facturazinha a ser paga pelos cubanos, obviamente.
(The Great Rock 'n' Roll Swindle, The Sex Pistols)
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Alberto João Jardim,
Política,
Portugal
A regionalização em versão milagreira
Andamos nós aqui a esgrimir argumentos sobre o assunto e, de repente, eis que a Santa Sé anuncia a passagem da Karel Voitila World Domination Tour 2010 pelo Porto, além de Fátima e Lisboa, pois claro. Uau. Não caibo em mim de contente. Aleluia.
(God Watch Over You, Prefab Sprout)
(God Watch Over You, Prefab Sprout)
sábado, 5 de dezembro de 2009
Em Portugal Tudo É Porto-Benfica #1
Ontem almoçava um charmoso linguado num restaurante do Parque das Nações na companhia de um inglês, um espanhol e alguns portugueses locais - eu era o único tripeiro da mesa. E não, isto não é o início de uma daquelas anedotas do tipo "Bocage" - tão populares nos anos 70.
Invariavelmente a conversa passou pelo futebol, acabando nos temas fracturantes da regionalização que, na perspectiva dos naturais da capital, radicam sempre na dôr-de-corno provinciana dos portuenses (e faço aqui notar, mais uma vez, que alguns - bastantes - lisboetas chamam aos naturais do Porto "portistas" o que não deixa de ser sintomático de como qualquer discussão norte/sul fica automaticamente comprometida já pelo preconceito, já pela ignorância). Falou-se de ópera, das corridas da Red Bull, do novo aeroporto e da nova ponte. E das auto-estradas. E da Expo 98, das finais de futebol sejam da Taça sejam de campeonatos internacionais, do Rock in Rio, etc., etc.
O rol dos argumentos do costume não faltou: o número de habitantes, a capital, as oportunidades de negócio, o provincianismo, o Pinto da Costa, a choraminguice nortenha e o resto do arsenal habitual.
A mim, que sou 2/3 transmontano e 1/3 portuense (mas 100% portista), a discussão deprime-me. Mas não pude deixar de alinhavar algumas constatações:
- o que é, nos dias que correm, ser lisboeta ou portuense? Alfacinhas de gema ou tripeiros dos sete costados não deverão ser muitos. Na grande maioria trata-se de gente de fora que demandou as cidades maiores em busca de novas e melhores oportunidades. São transmontanos, beirões, alentejanos, madeirenses. Mas, como todos os convertidos, depressa se tornam os mais ferozes defensores da ortodoxia do local. Invocar o bairrismo, nestas discussões, é absurdo. É como o Liedson falar de 1640 para moralizar a selecção contra os espanhóis.
- A todos os que participam nessas discussões sobre onde deve a corrida de aviões ficar, ou os concertos do Parque Eduardo VII, ou do Cohen, convido a que vão viver uns anos para Castelo Branco, ou Bragança, ou na Guarda. Verão que a coisa toma outros matizes de cinzento.
- A questão do número de habitantes não pode ser argumento nem causa: é pelo contrário consequência das políticas erradas da distribuição das oportunidades (ou seja, dinheiro). Lisboa tem muitos habitantes porque quem quiser ter acesso tem de lá estar. O Porto, que vai tendo cada vez menos, vai mesmo assim congregando a rapaziada minhota e transmontana que não quer ficar a ver passar a vida como os seus avoengos, atrás de uma charrua. No que a Lisboa diz respeito é ainda pior, porque mesmo os do Porto sentem necessidade de para lá ir, se quiserem singrar. É por isso um argumento "pescadinha-de-rabo-na-boca": tudo se passa em Lisboa, que tem mais mercado porque tudo se passa em Lisboa.
- Porto e Lisboa não se conhecem. Há de facto várias diferenças culturais entre Lisboa e Porto, como também as há - e provavelmente maiores - entre transmontanos e algarvios, entre madeirenses e beirões, entre João Jardim e os humanos. Mas isso não torna nenhuns melhores do que os outros. Se todos fossem iguais seria uma sensaboria. O problema dos desequilíbrios entre Lisboa e o resto do país não é culpa de Lisboa: é culpa dos políticos, a maior parte deles de fora de Lisboa. O facto de residirem em Lisboa enquanto governo também não é culpa de Lisboa. Nem, neste caso específico e excepcional, de Santana Lopes, que os queria espalhados pelos sete ventos. Por outro lado, o Porto e o resto do país não têm culpa de que só possa haver uma capital.
- Em Lisboa constrói-se uma auto-estrada para evitar que se demore uma hora a chegar a casa ou ao trabalho, aliviando a vida das pessoas. No distrito de Bragança não há um quilómetro de auto-estrada e ninguém se importa que alguém possa levar mais de uma hora para chegar a um hospital, que as crianças demorem mais de uma hora para chegar a uma escola que fica a 40 quilómetros de distância da sua casa - e que por isso tenham que levantar-se com o galo. As grávidas têm que percorrer dezenas de quilómetros para parir porque não há, na terra delas, massa crítica para manter uma maternidade ou uma urgência abertas. Em Lisboa, no Porto, se uma escola fecha e as crianças têm que andar mais meia dúzia de quarteirões é o caos e o horror. Tendo massa crítica manifestam-se e as televisões interessam-se pelo assunto.
Resolveria a regionalização este estado coisas? Eu diria que sim. Mas depois olho para os deputados do queijo, os Jardins, os Macários, os Loureiros, as Felgueiras e restante pandilha e fico pensativo. Significa isso que tudo fique como está? Claro que não. Afinal, não há só Porto e Benfica.
Governo Electrónico

Foi o anúncio-bomba da semana: dito por Sócrates, Portugal é, entre os 27 da UE, o PRIMEIRO em "Governo electrónico". Nas filas do IEFP ouviu-se um sonoro e festivo: "Hurrah!". E desataram a correr para casa a ligar os Magalhães e a ligar-se ao portal do governo para os encher de nomes feios e vírus.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Eu, regionalista e primário, me confesso
O Jornal Público trazia hoje à estampa a seguinte notícia sobre a polémica à volta da mudança da Red Bull Air Race do Porto para Lisboa:
"Segundo uma fonte ligada ao processo de negociação com a Câmara de Lisboa, o modo "regionalista e primário" como as instituições do Porto estão a reagir à transferência da prova para Lisboa, incluindo o apelo ao boicote dos patrocinadores, poderá levar a empresa austríaca a desistir de realizar a prova em Portugal."
"Parece que, no Norte, as pessoas preferem ver a prova em Espanha do que em Lisboa", lamentou aquela fonte, de acordo com a qual a transferência da corrida aérea para a capital não implica qualquer acréscimo da comparticipação do Estado."
Ao longo do artigo são ainda acrescentadas algumas declarações de patrocinadores, e associações ligadas à hotelaria, turismo e comércio lamentando a mudança e a polémica, e até o habitualmente ponderado Rui Moreira mete a sua colherada considerando que a polémica gerada pode levar as empresas patrocinadoras a abandonarem a prova. "E aí nem vêm para Lisboa nem para o Porto. Vai-se acabar por estragar isto tudo e não faltam cidades na Europa interessadas", alertou Moreira, que exortou o Turismo de Portugal a prestar esclarecimentos sobre o caso. "Os patrocinadores são livres de fazerem o que entenderem, mas o que me interessa mais é a questão dos dinheiros públicos", disse.
Vamos por partes. Como consumidor declaro desde já que não sou parte interessada. Nunca bebi Red Bull e não tenho o mínimo interesse em corridas motorizadas sobre a terra, sobre o mar ou pelo ar. Logo, é-me completamente indiferente que a famosa Red Bull Air Race se dispute no Porto, Faro, Baixa da Banheira ou Vladivostoque. Do que não gosto é que me tomem por estúpido. É uma coisa que me chateia, como diria o Almirante Pinheiro de Azevedo.
Não sei qual é a fonte ligada ao processo de negociação com a Câmara de Lisboa, que serviu de base ao artigo em causa, mas ao lamentar a preferência das pessoas do Norte por Espanha, apenas demonstra a forma provinciana e serôdia como Lisboa olha para o resto do país.
É óbvio que as pessoas do Norte preferem ver a prova em Espanha que em Lisboa. Porquê? Porque é mais perto ir a Vigo que ao estuário do Tejo. Obviamente que se for em Barcelona a conversa será outra. É muito vulgar ouvir, em debates televisivos, os inteligentes da capital argumentarem com o tamanho do país para contrariarem a descentralização de serviços ou pretensões regionalistas de outras zonas geográficas. Façamos um pequeno desenho.
No dia 19 de Julho de 2008 fui com a minha senhora ver o Leonard Cohen a Lisboa. Em primeiro lugar tive de arranjar quem ficasse com o meu filho de 7 anos durante 2 dias. Depois paguei € 35,00 por bilhete, mais 2 bilhetes para o Alfa (em 2ª classe), mais o jantarzito. Por sorte e por gentileza de um bom amigo não tive de gastar dinheiro num quarto, senão a coisa era um bocado pior.
O meu amigo, portuense exilado em Lisboa em virtude das oportunidades de trabalho (outro assunto que nos levaria longe), deixou a filha em casa de uma irmã, durante 3 horitas, saiu para o concerto com meia hora de antecedência, e apenas gastou uns cobres num jantar para disfrutar da nossa boa companhia por mais algum tempo. Ou seja, para ver um concerto de 2 horas e meia, o meu amigo gastou quatro horas do seu tempo, eu gastei um dia inteiro. Fora o resto.
Este ano, o senhor Leonard Cohen voltou. E muito eu gostaria de o rever. Mas não pode ser porque as coisas estão apertadas e mais uma ida à bela Lisboa ficaria fora de orçamento. Dirão vocês, és um pelintra e só dás exemplos de coisas perfeitamente dispensáveis. Digo eu, é verdade, mas há muita gente ainda mais pelintra do que eu e que tem de fazer deslocações a Lisboa mais amiúde por assuntos bem mais importantes. E inadiáveis. E não têm alternativa.
Defender a concentração de serviços, espectáculos, actividades culturais, ou caça aos gambuzinos em Lisboa, é prestar um mau serviço ao país e tratar o resto dos portugueses como cidadãos de segunda. E podem argumentar falaciosamente com a soberana vontade dos promotores. O problema é que desde os tempso áureos do consulado do dr. Cavaco em meados dos anos 80, que esta visão microcéfala do país tem vindo a ser imposta a quem tem o azar de viver longe da capital. Mas não muito longe. Todos sabemos que, para quem faz pela vidinha á volta do Terreiro do Paço, as distâncias a percorrer pelos seus compatriotas são sempre muito pequeninas.
É uma chatice. Para quem mora longe da capital, quero eu dizer.
(Aeroplane, Red Hot Chili Peppers)
"Segundo uma fonte ligada ao processo de negociação com a Câmara de Lisboa, o modo "regionalista e primário" como as instituições do Porto estão a reagir à transferência da prova para Lisboa, incluindo o apelo ao boicote dos patrocinadores, poderá levar a empresa austríaca a desistir de realizar a prova em Portugal."
"Parece que, no Norte, as pessoas preferem ver a prova em Espanha do que em Lisboa", lamentou aquela fonte, de acordo com a qual a transferência da corrida aérea para a capital não implica qualquer acréscimo da comparticipação do Estado."
Ao longo do artigo são ainda acrescentadas algumas declarações de patrocinadores, e associações ligadas à hotelaria, turismo e comércio lamentando a mudança e a polémica, e até o habitualmente ponderado Rui Moreira mete a sua colherada considerando que a polémica gerada pode levar as empresas patrocinadoras a abandonarem a prova. "E aí nem vêm para Lisboa nem para o Porto. Vai-se acabar por estragar isto tudo e não faltam cidades na Europa interessadas", alertou Moreira, que exortou o Turismo de Portugal a prestar esclarecimentos sobre o caso. "Os patrocinadores são livres de fazerem o que entenderem, mas o que me interessa mais é a questão dos dinheiros públicos", disse.
Vamos por partes. Como consumidor declaro desde já que não sou parte interessada. Nunca bebi Red Bull e não tenho o mínimo interesse em corridas motorizadas sobre a terra, sobre o mar ou pelo ar. Logo, é-me completamente indiferente que a famosa Red Bull Air Race se dispute no Porto, Faro, Baixa da Banheira ou Vladivostoque. Do que não gosto é que me tomem por estúpido. É uma coisa que me chateia, como diria o Almirante Pinheiro de Azevedo.
Não sei qual é a fonte ligada ao processo de negociação com a Câmara de Lisboa, que serviu de base ao artigo em causa, mas ao lamentar a preferência das pessoas do Norte por Espanha, apenas demonstra a forma provinciana e serôdia como Lisboa olha para o resto do país.
É óbvio que as pessoas do Norte preferem ver a prova em Espanha que em Lisboa. Porquê? Porque é mais perto ir a Vigo que ao estuário do Tejo. Obviamente que se for em Barcelona a conversa será outra. É muito vulgar ouvir, em debates televisivos, os inteligentes da capital argumentarem com o tamanho do país para contrariarem a descentralização de serviços ou pretensões regionalistas de outras zonas geográficas. Façamos um pequeno desenho.
No dia 19 de Julho de 2008 fui com a minha senhora ver o Leonard Cohen a Lisboa. Em primeiro lugar tive de arranjar quem ficasse com o meu filho de 7 anos durante 2 dias. Depois paguei € 35,00 por bilhete, mais 2 bilhetes para o Alfa (em 2ª classe), mais o jantarzito. Por sorte e por gentileza de um bom amigo não tive de gastar dinheiro num quarto, senão a coisa era um bocado pior.
O meu amigo, portuense exilado em Lisboa em virtude das oportunidades de trabalho (outro assunto que nos levaria longe), deixou a filha em casa de uma irmã, durante 3 horitas, saiu para o concerto com meia hora de antecedência, e apenas gastou uns cobres num jantar para disfrutar da nossa boa companhia por mais algum tempo. Ou seja, para ver um concerto de 2 horas e meia, o meu amigo gastou quatro horas do seu tempo, eu gastei um dia inteiro. Fora o resto.
Este ano, o senhor Leonard Cohen voltou. E muito eu gostaria de o rever. Mas não pode ser porque as coisas estão apertadas e mais uma ida à bela Lisboa ficaria fora de orçamento. Dirão vocês, és um pelintra e só dás exemplos de coisas perfeitamente dispensáveis. Digo eu, é verdade, mas há muita gente ainda mais pelintra do que eu e que tem de fazer deslocações a Lisboa mais amiúde por assuntos bem mais importantes. E inadiáveis. E não têm alternativa.
Defender a concentração de serviços, espectáculos, actividades culturais, ou caça aos gambuzinos em Lisboa, é prestar um mau serviço ao país e tratar o resto dos portugueses como cidadãos de segunda. E podem argumentar falaciosamente com a soberana vontade dos promotores. O problema é que desde os tempso áureos do consulado do dr. Cavaco em meados dos anos 80, que esta visão microcéfala do país tem vindo a ser imposta a quem tem o azar de viver longe da capital. Mas não muito longe. Todos sabemos que, para quem faz pela vidinha á volta do Terreiro do Paço, as distâncias a percorrer pelos seus compatriotas são sempre muito pequeninas.
É uma chatice. Para quem mora longe da capital, quero eu dizer.
(Aeroplane, Red Hot Chili Peppers)
domingo, 25 de outubro de 2009
Madoff e Portugal
Condenado a 150 anos de prisão, Madoff tem por companheiros de cela um traficante de droga de 21 anos, come pizza confeccionada por um molestador de crianças, e os seus melhores amigos são um chefe da máfia e um ex-militar que passava segredos a Israel.
Condenados a coisa nenhuma, João Rendeiro e Dias Loureiro continuam a fazer o que lhes apetece e a levar uma vida mais confortável do que 99% dos portugueses.
Condenados a aturar isto, os portugueses andam satisfeitos da vida com os 5 que o Benfica espetou ao Everton...
Temos o que merecemos. Merecemos pouco.
Prioridades
A organização Repórteres Sem Fronteiras publica anualmente um relatório do qual consta uma classificação que ordena os países pela liberdade de imprensa que neles se verifique. De uma lista de 175 países, Portugal ocupa um modesto 30º lugar, caindo 16 lugares relativamente à lista anterior.
Ouvi esta notícia pela primeira vez na TSF há uns dias e li-a hoje na revista do Público, numa nota envergonhada albergada numa rubrica sugestivamente baptizada "aconteceu em 3 minutos". Dirão-me que esta reacção tão mitigada da opinião pública nacional está de acordo com o 30º lugar da lista dos RSF. Faz sentido.
Mas não posso deixar de recordar do escândalo nacional que foi, profusamente comentado e discutido, quando Portugal caiu recentemente uma dezena de lugares no ranking da FIFA. Prioridades...
Entre os 29 países melhor classificados, contam-se os 3 países do Báltico, a Hungria e a República Checa, todos sob o manto soviético há pouco mais de 20 anos. Se seguirmos à risca os sábios ensinamentos de George Orwell quanto à evolução das revoluções, parece que Portugal já evoluiu para a fase «... mas uns são mais iguais do que os outros».
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